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Administrador organizando o plano de contas contábil.

Plano de contas contábil: como organizá-lo para o próximo ano?

Mais do que necessário para ter uma visão ampla e completa em relação aos ativos, aos passivos, às receitas e às despesas da empresa, o plano de contas contábil é, sem a menor sombra de dúvidas, um dos passos mais importantes para a implementação de uma boa gestão financeira.

No entanto, embora isso não seja nenhuma novidade para os gestores e/ou diretores de uma organização, muitos não sabem como colocá-lo em prática corretamente ou não entendem a importância de realizá-lo.

Independentemente da situação atual do seu negócio, este artigo foi preparado para mostrar como você deve organizar o plano de contas contábil para o próximo ano. A leitura é importante e, por isso, merece toda a sua atenção. Aproveite!

O que é o plano de contas contábil?

Lista de contas que apresenta os informes necessários para que a companhia possa registrar todos os eventos, movimentações econômicas e financeiras que acontecem durante suas atividades e operações. Essa é a definição básica de um plano de contas contábil.

De acordo com o art. 178 da lei 6.404/76, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio resgistrado e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia.

O objetivo por trás do plano de contas é evidenciar a real situação patrimonial da empresa. Para que isso seja possível, é preciso estruturá-lo de acordo com os fundamentos contábeis estabelecidos pela Lei da S/A.

Em outras palavras, ele deve ser elaborado com base na legislação comercial, sendo dividido pelos seguintes grupos:

• ativo:

  • ativo circulante
  • ativo não circulante

• passivo:

  • passivo circulante
  • passivo não circulante

• resultado

3.1 receitas

3.2 deduções da receita

3.3 custos e despesas

Contudo, diante do fato de que nem todas as empresas são categorizadas como S/A (Sociedade Anônima), não há a necessidade de seguir essa legislação fiscal, caso a organização não tenha que se “explicar” para os investidores e acionistas, por exemplo.

Isso significa que adaptações poderão ser feitas. No entanto, o recomendado é manter-se dentro dessa estrutura sempre que possível – no decorrer do artigo, nós mostraremos como organizar o plano de contas contábil de forma mais detalhada.

Qual é a importância desse plano para a empresa?

Em relação à importância do plano de contas contábil para a empresa, a primeira observação a fazer é que a sua elaboração é de grande valia para a realização de uma boa gestão econômica e financeira.

Entenda que é por meio dessa aplicação que deverão ser norteados os registros contábeis — o que inclui as seguintes demonstrações:

• demonstrativo de resultados do exercício;

• demonstrativos de fluxo de caixa;

• balanço patrimonial.

O ponto a destacar aqui é que, embora haja uma estrutura base para o plano, cada organização poderá personalizá-lo do modo mais adequado às suas particularidades de atuação.

Isso quer dizer que tanto os detalhamentos quanto a análise das informações devem ser realizados de forma específica. Porém, a finalidade do plano de contas contábil se mantém: fornecer dados importantes para a formação das três demonstrações citadas acima.

Vale ressaltar, ainda, a sua relevante contribuição para a adequação às exigências tributárias que envolvem as atividades de uma pessoa jurídica. Além disso, essa ferramenta pode colaborar fortemente para a redução de custos e para a visualização dos pontos internos que precisam ser otimizados.

O plano de contas contábil define como registrar ativo, passivo, receitas e despesas da empresa.

Como organizá-lo para o próximo ano?

Chegamos agora à parte mais importante deste conteúdo: a organização do plano de contas contábil para o próximo ano. Considerando o que já foi dito até aqui, tudo deve começar com a descrição e a divisão dos grupos de ativos, passivos, receitas e despesas.

Uma vez estabelecidos, crie as subcontas relativas a cada um deles. Sob uma visão geral, o plano de contas contábil deve ser estruturado em níveis e subníveis. Veja o exemplo:

ATIVO:

  • ATIVO CIRCULANTE:
    • caixa total
    • bancos com movimento:
      • banco “X”
      • banco “Y”
    • contas a receber:
      • clientes
      • outros
      • estoque:
      • insumos
      • mercadorias
      • produtos acabados
      • outros
  • ATIVO NÃO CIRCULANTE:
    • contas a receber:
      • clientes
      • outros
    • investimentos:
    • bancos:
      • banco “X”
      • banco “Y”
      • participações societárias
    • imobilizado:
      • terrenos
      • máquinas e equipamentos
      • construções e benfeitorias
      • móveis
      • veículos
      • (-) amortização acumulada
      • (-) depreciação acumulada
    • intangível:
      • marcas
      • softwares

 PASSIVO:

  • PASSIVO CIRCULANTE:
    • impostos e tributos a recolher:
      • INSS
      • FGTS
      • Simples Nacional (regime)
      • outros
    • contas a pagar:
      • fornecedores
      • outros
    • empréstimos:
      • banco “X” — operação “A”
      • banco “Y” — operação “B”
  • PASSIVO NÃO CIRCULANTE: 
    • empréstimos:
      • banco “X” — operação “C”
      • banco “Y” — operação “D”
    • patrimônio líquido:
    • capital social:
      • capital social subscrito
      • capital social a realizar
    • reservas:
      • reservas de capital
      • reservas de lucros
    • prejuízos acumulados:
      • prejuízos do exercício atual
      • prejuízos acumulados dos exercícios anteriores
    • resultado:
    • receita líquida:
    • receita bruta de vendas:
      • de produtos
      • de serviços prestados
    • deduções da receita bruta:
      • devoluções de produtos
      • serviços cancelados
    • outras receitas:
      • vendas de ativos não circulantes
      • receitas relativas aos investimentos
      • alienação do imobilizado
    • custos e despesas:
    • custos dos produtos vendidos:
      • custos dos materiais
      • custos da mão de obra
      • salários
      • encargos
      • comissões
      • bonificações
    • custos dos serviços prestados:
      • custos dos materiais
    • custos da mão de obra:
      • salários
      • encargos
    • despesas operacionais:
      • despesas gerais
    • mão de obra:
      • salários
      • encargos
      • aluguéis

Utilize a tecnologia a seu favor

Como você pôde perceber, há uma série de detalhes a considerar em um plano de contas contábil. A verdade é que isso não poderia acontecer de outra maneira – até porque a contabilidade de uma empresa não se baseia apenas em contas de “mais e menos”, pagamentos de tributos e registro de entradas e saídas.

Se você deseja otimizar a gestão financeira do negócio, desenvolver essa estrutura é essencial. Como mencionamos, ela deve ser ajustada conforme as características da empresa em questão. Também não podemos deixar de dizer que, para facilitar os controles e otimizar os resultados, é necessário utilizar a tecnologia a seu favor.

Nesse sentido, a solução que não pode faltar em nenhum tipo de organização é o ERP. Ele nada mais é do que um software de gestão integrada, que permite a automação das tarefas e a comunicação entre os diversos setores da companhia.

Por fim, cabe salientar que, quanto mais detalhado for o seu plano de contas contábeis, melhor. Os níveis e os subníveis citados acima servirão como um bom apoio. No entanto, caso você precise especificar os elementos em um grau mais aprofundado, faça isso.

Uma dica importante sobre o plano de contas contábil

No momento de elaborar o plano contábil vale a pena conferir o plano de contas referencial, disponibilizado na página da Receita Federal. Isso porque, para as atender às Escrituraçãoes Fiscais Digitais (EFD), o SPED Contábil (ECD) e à Escrituração Contábil Fiscal (ECF), deve-se vincular as contas do plano de contas interno, com as contas do plano referencial da Receita.

Acesse o link para conferir a Tabela Dinâmica e o Plano de Contas Referenciais:

http://sped.rfb.gov.br/arquivo/show/2424

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Ana Maria de Jesus Neta

Ana Maria de Jesus Neta

Analista de Negócios

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