Gestão 09/02/2026

A reforma tributária no Brasil marca uma das maiores transformações do sistema fiscal nas últimas décadas. Seu principal objetivo é simplificar a estrutura de impostos, substituindo cinco tributos atuais (IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS) por dois novos impostos: o IBS e a CBS. A proposta busca reduzir a complexidade do sistema, aumentar a transparência e melhorar a eficiência econômica.

Essa mudança ocorre a partir da adoção do modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal. Embora o novo sistema prometa avanços relevantes, sua implementação exige das empresas uma revisão profunda de processos, controles e estratégias de gestão tributária.

Os impactos da mudança não serão iguais para todas as empresas. Cada setor parte de uma realidade distinta, com regimes específicos, incentivos fiscais e diferentes níveis de cumulatividade. Na indústria e no comércio, a não cumulatividade plena tende a reduzir distorções ao longo da cadeia produtiva, mas amplia a exigência por controles fiscais mais precisos, revisão de processos e integração entre áreas.

Nesse contexto, a reforma tributária deixa de ser apenas uma mudança legal e passa a representar um desafio operacional, tecnológico e estratégico. Para a indústria, esse desafio é ainda maior, pois envolve a convivência simultânea entre dois modelos tributários ao longo do período de transição.

Ter processos estruturados, dados confiáveis e um sistema de gestão preparado será decisivo para garantir compliance, previsibilidade e eficiência ao longo dessa mudança. Pensando nisso, preparamos este artigo para apoiar sua empresa na jornada de adaptação à reforma tributária. Confira!

O cenário de transição: o desafio da dualidade tributária

O período de transição da reforma tributária, previsto para ocorrer entre 2026 e 2032, representa um dos maiores desafios operacionais para as empresas brasileiras.

Durante esse intervalo, as empresas, especialmente as indústrias, que já operam em um ambiente de elevada complexidade fiscal, enfrentarão a dualidade tributária, marcada pela coexistência de dois regimes distintos em uma mesma operação.

Na prática, esse cenário impõe dois desafios centrais à gestão empresarial:

Evolução do modelo tributário
O novo IVA Dual introduz uma lógica diferente de apuração, crédito e recolhimento, exigindo revisão de conceitos fiscais, parametrizações e controles internos.

Transição operacional e sistêmica
Até a consolidação do novo regime, as empresas precisarão manter processos, cálculos e obrigações acessórias dos dois modelos simultaneamente, o que amplia a carga operacional e o risco de inconsistências sem o apoio de sistemas de gestão preparados para esse contexto híbrido.

Leia também: Como adequar as notas fiscais às exigências da reforma tributária?

Entenda a convivência entre o modelo atual e o novo (IBS/CBS)

Na prática, essa convivência exige que as empresas se adaptem e parametrizem seus sistemas de gestão para lidar, ao mesmo tempo, com tributos do modelo atual, como PIS, COFINS, ICMS e ISS, e com o cálculo e a declaração da CBS e do IBS.

Desde o início de 2026, essa adaptação já começa a produzir efeitos concretos. Mesmo sem a cobrança integral dos novos impostos, entra em vigor uma alíquota experimental de 1% (0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS). O objetivo dessa fase é validar o funcionamento do novo modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), testando a interoperabilidade entre as esferas federal, estadual e municipal do Fisco e, principalmente, a integração dessas informações na ponta do contribuinte.

Nesse contexto, o ERP assume um papel central como elo entre as exigências fiscais e a operação da empresa. Isso garante que os dados sejam corretamente processados, consolidados e transmitidos com a integridade exigida tanto durante o período de transição quanto na vigência plena do novo modelo tributário.

Dessa forma, as empresas passam a operar com dois conjuntos de regras fiscais simultaneamente, ampliando a complexidade contábil e operacional. Essa gestão paralela tende a:

  • Aumentar significativamente a carga operacional dos departamentos fiscal e contábil;
  • Elevar o risco de erros na apuração e no cumprimento das obrigações acessórias;
  • Exigir investimentos em tecnologia, especialmente em um ERP capaz de centralizar dados fiscais, contábeis e regulatórios;
  • Demandar capacitação contínua das equipes envolvidas.

Durante esse período, conceitos centrais do novo sistema passam a impactar diretamente as operações. O princípio do destino redefine o local de recolhimento do imposto, enquanto a não cumulatividade plena permite o aproveitamento integral dos créditos ao longo da cadeia produtiva, reduzindo o efeito cascata típico do modelo atual.

Para ilustrar esse cenário, imagine o faturamento de um produto que circula entre estados sob regras de substituição tributária e que, ao mesmo tempo, precisa atender aos princípios do destino e da não cumulatividade plena do novo sistema. Sem um ERP preparado para integrar dados fiscais, contábeis e de conformidade nas esferas municipal, estadual e federal, o custo administrativo para manter o compliance pode comprometer as margens da operação.

Esse movimento de aproximação entre a área tributária e o negócio já é uma realidade em grandes organizações. Em entrevista à Revista da reforma tributária, Vasco Gruber Franco, Diretor Tributário da Vivo, destacou:

“A complexidade da transição de ICMS/ISS/PIS/Cofins/IPI para IBS/CBS/IS demanda profundo conhecimento das atividades da empresa, e é, hoje, impossível imaginar uma área tributária que não esteja extremamente próxima do negócio. É crucial revisar contratos, adaptar sistemas de gestão e rever uma série de processos por diversas áreas da empresa”.

A declaração reforça que a convivência entre os dois modelos exige que a gestão tributária deixe de ser apenas operacional e passe a atuar de forma integrada, estratégica e apoiada por tecnologia capaz de sustentar essa complexidade.

Saiba tudo sobre como preparar o sistema ERP para a reforma tributária

3 Pilares da gestão da mudança na indústria

A adaptação à reforma tributária vai muito além da atualização de tabelas de impostos. Para a indústria, se trata de uma mudança estrutural que impacta processos, pessoas e tecnologia ao longo de toda a cadeia produtiva.

O objetivo central dessa reengenharia é garantir o correto aproveitamento dos créditos tributários, manter o compliance e proteger o fluxo de caixa durante o período de transição. Para isso, três pilares se tornam fundamentais.

1. Adaptação de processos fiscais, compras e faturamento

A reforma altera o fato gerador e a base de cálculo dos tributos sobre o consumo. Em um ambiente industrial, marcado por múltiplos fornecedores, regimes especiais e operações interestaduais, isso exige o redesenho dos processos de compras, faturamento e apuração fiscal.

Na prática, essa adaptação envolve:

Revisão da lógica de não cumulatividade plena: mapear todas as aquisições que passam a gerar crédito, como insumos, energia, serviços e bens de capital, garantindo que esses valores sejam corretamente registrados nos sistemas e na apuração.

Ampliação do controle sobre créditos fiscais: estruturar processos e cadastros para assegurar que o imposto pago nas entradas vinculadas à atividade produtiva seja aproveitado de forma integral.

Adequação ao split payment: preparar os fluxos financeiros e fiscais para um cenário em que parte do imposto é recolhido automaticamente, exigindo conciliação precisa entre pagamentos, créditos e registros contábeis.

Fortalecimento da gestão de documentos fiscais eletrônicos: assegurar a validade, integração e rastreabilidade de NF-e e NFS-e, já que o crédito depende diretamente da qualidade dessas informações.

Gestão ativa do impacto no fluxo de caixa: ajustar prazos, políticas de faturamento e compensação de créditos para manter previsibilidade financeira durante a transição.

Nesse contexto, o redesenho dos processos não é opcional. Ele é o que permite que o imposto incida apenas sobre o valor agregado e que a empresa recupere corretamente o que pagou em suas entradas, reduzindo custos, ineficiências e riscos operacionais.

Leia mais: ERP em compras: como reduzir custos com esse sistema?

2. Capacitação das equipes e cultura organizacional

Com a nova lógica tributária, o papel das áreas fiscal e contábil também muda. Além de apurar guias, esses profissionais passam a atuar de forma estratégica, interpretando regras, acompanhando atualizações das leis complementares e apoiando decisões operacionais.

A gestão da mudança exige capacitação contínua das equipes envolvidas (fiscal, contábil, compras e TI), alinhamento entre áreas para evitar falhas na geração e no aproveitamento de créditos e a governança clara sobre parametrizações, cadastros e exceções fiscais.

Sem esse preparo interno, o risco de inconsistências, autuações e perda de créditos durante a transição aumenta significativamente.

Leia mais: A importância do treinamento e da capacitação do usuário na performance do ERP

3. Atualização e escalabilidade do ERP

A tecnologia é o elemento que conecta processos e pessoas. Durante o período de transição, as indústrias precisarão operar com duas lógicas tributárias simultâneas.

Isso exige um ERP capaz de suportar múltiplas regras fiscais em tempo real, segregar e rastrear operações conforme o regime aplicável, integrar dados fiscais, contábeis e financeiros de forma consistente, além de escalar o volume de informações sem comprometer o faturamento ou a produção.

Um ERP preparado para a reforma tributária deixa de ser apenas um sistema de apoio e passa a ser um instrumento estratégico de conformidade, previsibilidade e sustentabilidade financeira ao longo de toda a transição.

Por que a tecnologia é o fator decisivo para o compliance industrial?

Grandes empresas já entenderam que a complexidade da reforma tributária brasileira exige inteligência de dados.

Um sistema de gestão defasado pode gerar erros de cálculo que resultam em passivos fiscais pesados ou, por outro lado, no pagamento indevido de impostos que deveriam ser creditados. A tecnologia garante a rastreabilidade necessária para o novo cenário de “split payment” (pagamento imediato do imposto na liquidação da fatura), que deve ser uma das bases do novo sistema.

Ela automatiza, monitora e reporta processos complexos, garantindo a conformidade com regulamentações rigorosas de forma consistente e eficiente, algo que métodos manuais não conseguem igualar. Em essência, a tecnologia transforma o compliance de uma tarefa manual reativa para um sistema proativo, contínuo e integrado às operações diárias da indústria.

Como o Consistem ERP antecipa as necessidades da indústria

Na Consistem, entendemos que a indústria não pode parar, nem durante grandes mudanças legislativas. Por isso, o Consistem ERP foi desenvolvido para ser o ponto de estabilidade do gestor em cenários de incerteza, como o período de transição da reforma tributária.

Com uma arquitetura preparada para a convivência entre dois modelos fiscais e suporte especializado ao longo de toda a jornada, o Consistem ERP permite que sua equipe mantenha o foco no crescimento do negócio, enquanto a tecnologia assume a complexidade da adaptação tributária.

Durante a transição para o IVA Dual (CBS/IBS), a tecnologia deixa de ser apenas um apoio operacional e passa a atuar como um pilar estratégico de compliance, previsibilidade e eficiência. Nesse contexto, o Consistem ERP se destaca por proporcionar:

Automação com redução de riscos

A automatização de rotinas fiscais e contábeis reduz a dependência de processos manuais, minimizando falhas na apuração, no cumprimento das obrigações acessórias e no aproveitamento de créditos durante a coexistência dos regimes.

Monitoramento contínuo e rastreabilidade

O sistema permite o acompanhamento em tempo real das operações fiscais, com trilhas de auditoria completas e rastreáveis, essenciais para atender às exigências do novo modelo e aos mecanismos como o split payment.

Gestão integrada de dados fiscais, contábeis e financeiros

O Consistem ERP centraliza informações de diferentes áreas da empresa, garantindo consistência entre documentos fiscais eletrônicos, registros contábeis e fluxos financeiros, fator crítico para manter o compliance em um cenário de alta complexidade regulatória.

Atualizações alinhadas à evolução da legislação

A reforma tributária ainda depende de leis complementares e ajustes regulatórios. Por isso, o Consistem ERP conta com atualizações contínuas, acompanhando cada avanço legal para que a empresa se adapte sem rupturas operacionais.

Outro ponto importante é um módulo específico para a gestão da reforma tributária, desenvolvido para apoiar profissionais na compreensão e planejamento estratégico da transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo.

Esse suporte é complementado por atendimento consultivo e personalizado, workshops exclusivos sobre a reforma tributária, apoio na implantação e parametrização do módulo, além de uma página dedicada à atualização constante sobre as mudanças regulatórias.

O compromisso da Consistem é manter sua indústria sempre um passo à frente, com ferramentas atualizadas em tempo real e uma gestão preparada para o futuro.

Prepare sua indústria para a reforma tributária! Conheça o Consistem ERP em uma demonstração e veja como podemos facilitar sua jornada de adaptação com segurança e previsibilidade.

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