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Entenda como o setor de compras atua na margem de lucro da empresa

Encontrar mecanismos para aumentar a margem de lucro da empresa é um desafio permanente em organizações de todos os portes. Afinal, todo negócio se sustenta graças ao lucro proveniente de suas atividades. Embora não deva ser confundido com a finalidade do negócio, o lucro é o meio pelo qual uma empresa dá continuidade à sua missão.

Nas companhias com estrutura mais vertical, os profissionais de compras ainda têm seu campo de atuação restrito. Por outro lado, nas startups e empresas inovadoras a percepção é mais ampla e, quando organizado estrategicamente, o setor de compras pode influenciar diretamente na margem de lucro.

Ou seja, podemos dizer, sem exagero, que os profissionais responsáveis pelas compras são peças-chave para o crescimento de uma empresa. E é exatamente sobre isso que falaremos neste artigo.

Leia até o final e entenda como o setor de compras atua na margem de lucro da empresa.

Definindo a margem de lucro da empresa

Antes de expor como um setor de compras atua de maneira estratégica, é importante destacar como é definida a margem de lucro.
Em um sentido geral, lucro é o resultado entre tudo que a empresa vendeu e precisou gastar para isso. Por exemplo: se ao longo de um mês, uma empresa vendeu R$ 1.000,00 e precisou gastar R$ 600,00, significa que o lucro percebido foi de R$ 400,00.

No entanto, outros fatores precisam ser considerados para se chegar a essa margem. Assim como existem negócios estáveis, cuja lucratividade se mantém constante, há outros em que sazonalidades podem reduzir ou aumentar o montante auferido como lucro.

Por isso, é importante estabelecer uma margem de lucro para que se tenha uma referência, um ponto de partida para saber se a empresa, de fato, lucrou ou amargou prejuízo em um dado período.

De qualquer forma, esse percentual deve ser sempre considerado por todo setor de compras que pretenda ser eficaz em suas aquisições.

Trabalhando em cima da margem de lucro, é possível orientar ações visando à redução de custos por meio das aquisições junto aos fornecedores.

Reduzindo custos para aumentar receitas

Pela definição de margem de lucro, fica mais claro compreender a importância do setor de compras. As aquisições mais em conta irão representar ganhos indiretos e repercutir em toda a cadeia produtiva.

Voltemos ao nosso exemplo. Vamos supor que, dos R$ 600,00 de despesas, nossa empresa consome a metade disso em compras de insumos, ou seja, R$ 300,00. Uma redução de 10% no valor gasto representaria uma economia de R$ 30,00. A margem de lucro, portanto, aumentaria em 3%. Pode parecer pouco, mas observe que o aumento percentual foi obtido sem a necessidade de reajustes de preços ao consumidor.

Também não foi preciso cortar custos na cadeia de suprimentos como, por exemplo, na logística ou em outros processos operacionais — o que poderia repercutir negativamente. Supondo que um mesmo insumo — ou um similar — possa ser comprado por menos, estaremos otimizando a margem de lucro da empresa.

Otimizando o equilíbrio nos estoques

Os profissionais de compras também são decisivos na hora de garantir o fluxo do estoque. Um desafio que se impõe às empresas que necessitam estocar produtos é encontrar um ponto de equilíbrio. Os itens estocados não devem representar gastos excessivos com manutenção, como também não podem faltar mercadorias nas prateleiras para reposição.

É preciso monitorar os armazéns constantemente. Para essa função, poucos setores são tão competentes quanto o de compras. Como ele é o responsável por gerenciar as aquisições que deverão compor o estoque, nada mais natural que confiar a ele o gerenciamento dos produtos estocados. Essa é uma tarefa fundamental para evitar a perda de vendas causadas por desorganização do estoque.

Sendo pró-ativo e estratégico

Os profissionais de compras não são importantes apenas para lidar com números. Nas grandes corporações e empresas atualizadas com as práticas modernas de gestão horizontal, as compras são tratadas como recurso estratégico, mesmo que, numa primeira análise, sejam contabilizadas como um custo.

O setor de compras pode detectar oportunidades de isenções fiscais em cima da aquisição de matérias-primas. Um exemplo disso é quando empresas que exportam produtos utilizam o benefício fiscal conhecido como drawback. Nesse caso, a compra da matéria-prima recebe isenção fiscal como forma de baratear o custo do produto a ser exportado. Essa é uma forma de o governo captar recursos em moedas fortes, como o Dólar e o Euro.

É importante também estimular a comunicação entre setores. Um setor de compras alinhado com o financeiro terá muito mais subsídios e informações do que trabalhando de forma isolada.

Exercitando o poder de negociação

Foi-se o tempo em que fornecedores eram tratados como adversários. Nas empresas modernas, a horizontalidade nas relações profissionais estimula a interação e a pró-atividade, então a competição não faz sentido.

A tendência é trabalhar em regime cooperativo, portanto, quem compra deve manter uma relação de interdependência com os fornecedores. Os custos são inerentes, mas os ganhos são mútuos.

O processo de compra é ininterrupto. Dessa forma, tendo em vista a continuidade nas transações comerciais, é muito mais vantajoso um setor de compras que saiba negociar e não apenas estimular a competitividade.

Às vezes, é mais lucrativo negociar com um fornecedor conhecido do que abrir licitação para empresas desconhecidas. Os profissionais de compras devem ter essa capacidade de operar em regime de parceria com fornecedores. Esse relacionamento refletirá em ganhos para a empresa.

E você, concorda que o setor de compras é fundamental para aumentar a margem de lucro da empresa? Deixe sua opinião nos comentários e interaja com outras pessoas para que todos possam trocar experiências.



Ana Maria de Jesus Neta

Ana Maria de Jesus Neta

Analista de Negócios

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